Atitudes que são de ontem, e "para ontem".

As minhas primeiras lembranças com a sustentabilidade vem da infância, provavelmente de acompanhar a minha avó na cozinha, ela que com mãos espertas e ágeis manuseava alimentos de forma que rendesse para os 8 lugares na mesa, os cachorros, as galinhas, o cabrito, alguma pessoa de passagem e ainda sobrava um pouco pro solo do jardim se alimentar de cascas e sobras comida.


Nunca nada ia pro lixo sem seu consentimento, e isso se estendia pro restante da casa. As roupas dela, a Mima, eram utilizadas até gastar e virar roupa de fazer "ofícios", maneira em que chamamos na Venezuela as tarefas da casa. Já a minha mãe compartilhou roupas e calçados com seus irmãos durante os anos 80, tudo era utilizado até rasgar ou a última criança não caber mais nas vestes e serem repassadas para algum primo um tanto mais novo.

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Durante os 90, a minha mãe passou a adquirir roupas apenas para ela, com todo o estilo e jeans de cintura alta que a época pedia, roupas que por sorte foram guardadas pelas mãos da minha avó que nada perdia de vista. Algumas vieram parar no meu armário. É claro que naquela época eu não tinha noção disso ser sustentável, nem mesmo com a minha formação precoce em temas de meio ambiente e cuidados com o nosso planeta tinha tido acesso ao conceito. Para mim, tudo se resumia em jogar o lixo corretamente e prevenir a contaminação ambiental.


Sendo assim, eu ignorava o ato do consumo, da compra, do desejo. É que nos 90's e primeiros anos do Bilênio a nossa vida financeira melhorava um pouco, e comprar brinquedos, roupas ou utensílios que traziam mais conforto pro lar eram coisa do momento, ninguém ao meu redor questionava.


Tal vez foi por aquela época que a minha lembrança do café coado passou de ser uma "meia" de pano para uma cafeteira elétrica que fazia tudo sozinho, para no final você apenas descartar um papel cheio de café no lixo. Anos mais tarde, em 2016 e já no Brasil, começou a minha história no barismo. E de novo, o rápido e descartável ficou impregnado da minha rotina. Desde o café coado que servia a um cliente até o frappuccino com copo de plástico que logo iria pro lixo. E eu calada, não questionava. Mas logo, o conceito de café especial que tanto considera detalhes me fez olhar pra tudo com muita mais atenção. Desde o alimento e sua origem, a embalagem, meus hábitos de consumo, e por aí vai...


Foi assim que percebi que seres humanos, no geral, gastamos muito mais do que necessário, que as modas, o conforto, o capitalismo e tudo que você quiser incluir nesse pacote, nos fazem querer mais e mais sem prestar atenção ao que já temos, sem cuidar como a minha avó -e provavelmente a sua- faz.

Essa ideia que me fez começar a Fabrikafe em 2020, primeiro com uma eco-bag para evitar a sacolinha plástica e logo um filtro de pano que eu apresentaria com timidez, já que a maioria das pessoas ao meu redor tinha algum conceito negativo dele. Eu mesma tinha. Mas novos conceitos vieram com tudo para ficar, e é justamente essa a nossa proposta na Fabrikafe: introduzir atitudes sustentáveis na rotina, cuidar do que é nosso, re-utilizar sempre que possível e cuidar do nosso consumo para ferir ao mínimo a nossa grande casa, a terra. E continuamos juntos nessa, pois é só graças a nossa comunidade disposta a quebrar com padrões que algum impacto é possível, mas lembrando sempre que ações isoladas não resolvem os problemas que enfrentamos, como o aquecimento global.


É preciso sempre fazer mais e melhor, cobrar políticas públicas que pensem no meio ambiente e incentivar o consumo consciente em todos os aspectos da nossa vida.

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